SOBRE
O FILME
O filme começa em casa. À mesa da cozinha, Francisco e o filho, Benjamim, desenham e pintam em grandes folhas brancas de papel. Enquanto desenham, conversam sobre a geografia do mundo. Francisco lê ao filho a história que criou, a fábula da Estrela, do Planeta e da Ampulheta. Uma história infantil que fala da relação da humanidade com o planeta Terra e da passagem do tempo.
BALDIO afasta-se dos grandes palcos, dos discursos institucionais e das formulações abstratas da crise climática, e aproxima-se da vida quotidiana de quem decidiu agir. Acompanha quatro pessoas nos seus territórios, mas também nas suas casas, nas suas memórias, nos seus silêncios e dúvidas, procurando compreender em que momento uma inquietação íntima se transformou numa causa coletiva.
BALDIO é um documentário sobre pertencer a um lugar, como uma parte que depende de um todo. É sobre pessoas que, diante da possibilidade de perda, reconheceram num lugar uma parte de si mesmas. Histórias que trazem a defesa ambiental e a ação cívica como uma prática concreta de democracia, anterior a qualquer rótulo de “ativismo”, lançando uma reflexão sobre o papel da cidadania num tempo marcado pela desinformação, pela desconfiança nas instituições e pela fragilidade da participação pública.
É nesse cruzamento entre vida íntima, território e ação coletiva que surgem Joaquim, Carla, Aida e Francisco. As suas histórias atravessam diferentes momentos da mobilização ambiental em Portugal: da oposição à construção de uma central nuclear, em 1976, à contestação da prospeção de petróleo na costa algarvia, em 2018; da resistência à exploração de lítio em Covas do Barroso às mobilizações mais recentes pela ação climática. Separadas por geografias e gerações, estas experiências encontram-se numa mesma pergunta: o que leva alguém a deixar de assistir e decidir intervir?
BALDIO parte de quatro histórias e da vida de quatro pessoas para olhar para o que nos liga aos lugares, às comunidades e ao que temos em comum. E para o que acontece quando essa relação é posta à prova.
OS PROTAGONISTAS
“Sou a Aida, sou de Covas, sou agricultora, mãe... Agora, ativista é uma palavra muito grande. Muito fora de Covas.”
AIDA
Agricultora, Covas do Barroso
"Todo o evento de crise climática tem aparência de coisa natural: é a chuva que sempre vinha, é o calor... é , está quente mesmo não é?”
FRANCISCO
Designer gráfico, Lisboa
“Na Guerra do Ultramar prometi que, se escapasse, iria dedicar-me a servir a minha comunidade. E foi o que fiz. É uma promessa sem prazo.”
JOAQUIM
Reformado, Ferrel
“Há qualquer coisa que acontece quando a nossa voz encontra a voz do outro. E aos poucos, a nossa voz aparece.”
CARLA
Guia de natureza, Sagres